Artistas & Comunidades

Por trás de cada peça da Galeria Amazônica há um nome, uma história e um território. Conheça as artesãs e os povos que transformam saberes ancestrais em arte viva — e saiba que ao escolher uma peça, você escolhe também quem a fez.


LÍDIA ABRAHIM — Seiva Amazon Design Pará, Amazônia

Lídia Abrahim fundou a Seiva Amazon Design com uma missão simples e poderosa: transformar a seiva da seringueira em renda para mulheres de comunidades ribeirinhas e extrativistas. Hoje, sua rede reúne cerca de 40 artesãs capacitadas para extrair o látex natural das seringueiras e criar colares, pulseiras e brincos únicos. Fundada oficialmente em 2021, a Seiva nasceu de anos de experimentação iniciados em 2018 — e cresceu como um bionegócio que conecta o saber ancestral da floresta a um mercado cada vez mais consciente.


POVO APURINÃ Rio Purus e Rio Acre, Amazonas

Os Apurinã habitam a Amazônia há séculos, carregando uma das culturas mais ricas da região. Pertencentes ao tronco linguístico Arawak, vivem principalmente ao longo dos rios Purus e Acre, no estado do Amazonas. De suas mãos nascem os colares Muiraquitã — amuletos de proteção e sorte feitos com semente de tucumã lapidada, que remetem à lenda das Icamiabas, mulheres guerreiras que moldavam talismãs nas profundezas de rios sagrados para oferecer como símbolo de amor, fertilidade e conexão espiritual.


POVO KAMAIURÁ Alto Xingu, Mato Grosso

Os Kamaiurá são uma referência cultural do Alto Xingu, território onde povos de diferentes línguas compartilham visões de mundo e modos de vida. Conhecidos por rituais como o Kwarup e o Jawari, as mulheres Kamaiurá produzem colares de miçanga de vidro e fio de algodão com grafismos geométricos nas cores da cobra coral — símbolo de proteção e força para seu povo. Usados em rituais e no cotidiano, cada colar é também uma fonte de renda e uma afirmação de identidade.


LUCINEIDE DA SILVA GARRIDO Comunidade Tumbira, Iranduba, Amazonas

Lucineide vive e trabalha onde a floresta é vizinha e professora. Moradora da Comunidade Tumbira desde 1971, ela construiu uma vida inteira baseada no artesanato — atividade que é, até hoje, a principal fonte de renda de sua família. De suas mãos saem biojoias de semente de açaí e peças de talo de babaçu, cada uma carregando décadas de conhecimento, paciência e amor pelo que a Amazônia oferece.


SANDREIA — Povo Saterê-Mawé Amazonas

Os Saterê-Mawé são conhecidos como os "filhos do guaraná" — planta nativa que nasce exatamente em seu território ancestral, na bacia do Maués-Açu. Falantes da língua mawé, vivem em municípios como Barreirinha, Parintins e Maués, no Amazonas, e carregam uma cultura marcada por rituais como o da tucandeira. É desse povo que vêm as pulseiras de morototó de Sandreia — sementes coletadas do chão, secas e furadas uma a uma à mão, transformadas em joias que abraçam o pulso com leveza e história.